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«Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!» — Fernando Pessoa

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tradução: A Casa no Fim do Mundo

Inicio hoje um projeto de longo prazo, de traduzir para o português o romance “The House on the Borderland”, publicado em 1907 pelo inglês William Hope Hodgson. Trata-se de uma obra obscura da literatura gótica britânica (a meu ver imerecidamente esquecida), que está de certa forma relacionada a dois outros textos do mesmo autor, merecedores ambos de mérito literário: “The Night Land” (A Terra Noturna) e “The Boats of the Glen Carrig” (Os Botes do Glen Carrig) — uma obra de ficção científica e um romance de capa e espada mesclado com fantasia e piratas.

Acredito que as três obras tenham grande potencial de atrair leitores modernos, especialmente porque, ao traduzi-las para o português, tenho a oportunidade de remover o principal defeito do original: o estilo excessivamente arcaizante e empolado que o autor empregou naquelas duas, ou a relativa falta de polimento que caracteriza “A Casa no Fim do Mundo”. Tais defeitos fazem com que muitas pessoas que se interessariam pelo tema em si destas histórias acabem se afastando. Mas uma tradução é sempre uma oportunidade de recriação do original. Embora não me julgue à altura de um Eça de Queirós, proponho-me a fazer pelas obras de Hodgson algo análogo ao que o genial autor de “Os Maias” e “A Relíquia” fez com “As Minas do Rei Salomão”, do obscuro H. Ridder Haggard.

Esta postagem servirá de índice para que os interessados na leitura possam acompanhar o progresso, em estilo folhetim, de meu trabalho de tradução.

Introdução do Manuscrito pelo Autor
Capítulo I — A Descoberta do Manuscrito
Capítulo II — A Planície do Silêncio
Capítulo III — A Casa na Arena
Capítulo IV — A Terra
Capítulo V — A Coisa no Abismo
Capítulo VI — As Coisas Suínas
Capítulo VII — O Ataque
Capítulo VIII — Depois do Ataque
Capítulo IX — Nos Porões
Capítulo X — Os Tempos de Espera
Capítulo XI — A Busca nos Jardins
Capítulo XII — O Abismo Subterrâneo
Capítulo XIII — O Alçapão no Porão Maior
Capítulo XIV — O Mar do Sono
Fragmentos [continuação do capítulo XIV]
Capítulo XV — O Ruído na Noite
Capítulo XVI — O Despertar
Capítulo XVII — A Redução da Rotação
Capítulo XVIII — A Estrela Verde
Capítulo XIX — O Fim do Sistema Solar
Capítulo XX — Os Globos Celestes
Capítulo XXI — O Sol Escuro
Capítulo XXII — A Nebulosa Escura
Capítulo XXIII — Pimenta
Capítulo XXIV — Passos no Jardim
Capítulo XXV — A Coisa da Arena
Capítulo XXVI — O Ponto Luminoso
Capítulo XXVII — Conclusão
Luto
Algumas Palavras Sobre a Obra de William Hope Hodgson

O romance inicia com a seguinte nota:

A partir do Manuscrito descoberto em 1877 pelos Srs. Tonnison e Berreggnog nas Ruínas ao Sul do Povoado de Kraighten, no Oeste da Irlanda. Aqui transcrito, com Notas.

4 comentários:

Juliemily Benjamin disse...

Parabéns pela iniciativa. Ficarei acompanhado! o/

Fábia Yves disse...

Ótimo blog!!! já estou seguindo!!!

Nem tenho a pretensão de estar no nível deste mas, convido vcs para seguirem o meu também:
www.fabiayves.blogspot.com
Onde escrevo tudo que encontro de interessante por aí, inclusive o que penso...
Abraços!

Camilo Prado disse...

Prezado,
parabéns pela iniciativa.
Mas lamento que queira "melhorar" o autor, preferiria lê-lo da maneira mais próxima do original possível. Mas, enfim, a tradução é sua e você tem toda a liberdade de fazer como queira, principalmente tendo a dignidade de dizer como traduz, o que é raro entre nós.
Talvez você desconheça, mas há sim uma edição em português : "A casa sobre o abismo", pela "Fantásticos econômicos Newton", 1996. Foi onde li pela primeira vez Hodgson, depois só em espanhol e italiano, infelizmente.
Muito bem vinda sua tradução, é realmente um autor de literatura fantástica que é desconhecido entre nós.
Abraços,
Camilo Prado.

José Geraldo Gouvêa disse...

Camilo, minha intenção é não ser literal. Uma tradução literal de Hodgson seria intolerável, devido ao seu estilo. Ele usa vírgulas demais e tem certa tendência ao arcaísmo. Acredido que é preciso trabalhar isso na tradução, sim.

De qualquer forma, a intenção não é desrespeitar o autor, mas atualizar o seu texto e adaptá-lo melhor ao caráter do português.

Obrigado pela visita e pelo comentário.